January 4, 2012
o meu onze ideal (de cineastas)

O Luís do CINEdrio formou a sua equipa de futebol composta por realizadores de cinema e lançou o repto para que outros fizessem o mesmo, com o fito de se fazer um torneio interblogues (aqui, aqui e aqui). Vai daí, não resisti. A minha equipa é a que segue (a táctica, que pode ser aferida acima, é o clássico 4-1-1-3-1, objectivamente a ideal para a maximização da qualidade destes jogadores ou isso):

Michelangelo Antonioni (guarda-redes) - Não só tem nome de guarda-redes como é grande e corpulento. No entanto, preocupa-se mais com o enquadramento com a baliza do que com o que se passa em campo, tendo sofrido alguns golos quando estava virado para a mesma; conta-se que uma vez se ausentou de campo no decorrer de um jogo durante cinco minutos, sem razão aparente (não foi possível confirmar esta história).

Woody Allen (defesa direito) - Como outros jogadores nesta equipa muito virada para o ataque, é um defesa adaptado; a diferença é que não se sabe de que posição. Jogador algo nervoso, entra muitas em vezes em discussão com os árbitros, isto quando não está a infernizar a cabeça de Antonioni, repetindo-lhe inúmeras vezes que ele não é nada ao pé de Fellini ou Bergman, seus conhecidos rivais. (Segundo algumas fontes, Woody Allen escolheu a sua posição em campo para estar mais perto do italiano; e terá sido ele a razão do estranho desaparecimento do guarda-redes.)

Aki Kaurismäki e Jim Jarmusch (defesas centrais) - Jogadores de características muito semelhantes, pelo que não se pode dizer que se complementam, antes que se sobrepõem. Mantêm a impassibilidade mesmo quando os adversários se aproximam da sua área, fazendo que estes se confundam e acabem por perder a bola. Apesar das parecenças, o americano gosta de se aventurar lá à frente, enquanto o finlandês é daqueles defesas “sólidos”, muito posicionais, que raramente saem da sua zona de acção.

Dario Argento (defesa esquerdo) - Chamar Argento de defesa é mais força de expressão: o italiano raramente vem cá atrás, funcionando o mais das vezes como um extremo-esquerdo puro. Jogador de fina técnica, de vez em quando perde-se em floreados e rodriguinhos, mas num dia sim é praticamente imparável. Esquece-se muitas vezes de passar a bola a Demy, que, de facto, tem momentos em que parece estar ausente.

Sam Peckinpah (trinco) - Jogador duríssimo, já mandou para o hospital incontáveis adversários. Sempre que entra em campo, inspira tal temor na outra equipa que esta raramente se resolve a atacar, preferindo trocar a bola no próprio meio-campo. Apesar de tudo, é de uma lealdade impressionante para com os seus colegas e tem uma capacidade de sofrimento lendária: numa final da Taça, jogou noventas minutos com as duas pernas partidas.  

João César Monteiro (box-to-box) - Muito criativo, por vezes brilhante, é algo preguiçoso e quezilento, entrando em conflito um pouco com toda a gente. Ainda assim, mereceu sempre a confiança do treinador e a verdade é que a bola passa por ele em quase todas as jogadas de ataque. Uma vez jogou de olhos vendados, sem perder, por isso, qualidade de jogo. Quando não está bem, a equipa ressente-se.

Jacques Demy (médio-ala esquerdo) - Um fora-de-série. Costuma cantar durante jogos, facto que deixa os adversários sem saber o que fazer, sendo esta uma das suas mais famosas fintas (Argento, por outro lado, irrita-se com esta característica do francês, mais uma razão para não lhe passar a bola). Alguns adeptos acusam-no de ser demasiado lírico e sonhador, parecendo que por vezes não está em campo, mas nenhum jogador é capaz de deslumbrar as bancadas como ele.

Max Ophüls (médio-ala direito) - Quase tão genial como Demy, põe a cabeça dos adversários a andar à roda com as suas fintas mirabolantes: é um verdadeiro Paneira. Tem de fazer o corredor direito sozinho, já que Woody Allen está entretido com outras coisas e não liga nenhuma ao que se passa. Muito regular e tacticamente perfeito, é um dos esteios da equipa.

Jean Renoir (o “dez”) - O patrão da equipa: todos os jogadores lhe têm enorme respeito e a sua nomeação como capitão foi absolutamente natural. O estratega: muito inteligente, tem umas óptimas visão e leitura de jogo. Senhor de uma técnica irrepreensível, se bem que não goste de fazer gala dela, é capaz de pôr a bola onde quer. Dizem que imagina a próxima jogada da sua equipa quando a bola ainda está na posse dos adversários (e se não consegue executá-la, é por falha dos seus colegas).

Howard Hawks (ponta-de-lança) - Com dois belos pés e um óptimo jogo de cabeça, é raríssimo falhar um golo. É um ponta-de-lança à antiga, com o qual se pode contar: está sempre no sítio certo a finalizar as bonitas jogadas dos seus colegas. Não é um tecnicista (o que faz com que os adeptos não o apreciem como deve ser), mas é muito eficaz. Quase não tem baixas de forma.

Em breve haverá sorteio e saberei com que equipa a minha irá a jogo.

  1. numaparagemdo28 posted this
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