Mark Perason entrevista J. Hoberman para a Cinema Scope
Simon Reynolds entrevista Greil Marcus para Los Angeles Review of Books
Mark Perason entrevista J. Hoberman para a Cinema Scope
Simon Reynolds entrevista Greil Marcus para Los Angeles Review of Books
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Estreia em sala um filme que fez algum furor em Cannes no ano passado e no último IndieLisboa. “Michael” trata um tema chocante, a pedofilia, sem sensacionalismo, é certo, mas tanto quis afastar-se desse perigo que acaba por ser tão frio, metódico e apagado como a personagem titular. Crítica completa aqui.
O texto de rescaldo do IndieLisboa’12 e a colecção das críticas aos filmes vistos no festival.

Críticas a “Formentera”, de Ann-Kristin Reyels; “Berlin Telegram”, de Leila Albayaty; “L’estate de Giacomo”, de Alessandro Comodin; “Los Angeles Plays Itself”, de Thom Andersen; e “Alpeis”, de Yorgos Lanthimos, na Rua de Baixo.

Críticas a “Táo Jie”, de Ann Hui; “Stillleben”, de Sebastian Meise; e ”L”, de Babis Makridis, na Rua de Baixo.

Críticas a “Terri”, de Azarel Jacobs; “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho; às curtas “La tristesse de l’éléphant”, de Bartlomiej Woznica; “Or Anything at All Except the Dark Pavement”, de Théodora Barat; “Praça Walt Disney”, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira; “Polvo”, de Angela Reginato; e “O Que Arde Cura”, de João Rui Guerra da Mata, na Rua de Baixo.

Críticas a “Whores’ Glory”, de Michael Glawogger; “Des épaules solides”, de Ursula Meier; às curtas “The Night of The Moon Has Many Hours”, de Mauricio Arango; “La Sole, entre l’eau e le sable”, de Angèle Chiodo; “Sent på jorden”, de John Skoog; e “Armand 15 ans l’été”, de Blaise Harrison, na Rua de Baixo.

Críticas a “Em Segunda Mão”, de Catarina Ruivo; “Toata lumea din familia noastra”, de Radu Jude; e “Michael”, de Markus Schleinzer, na Rua de Baixo.

Críticas a “Ikhtifa’at Soad Hosni ath-Thalathah”, de Rania Stephan; “Vou Rifar Meu Coração”, de Ana Rieper; e “De jueves a domingo”, de Dominga Sotomayor, na Rua de Baixo.

Críticas a “Schönheit”, de Carolin Schmitz; “Bestiaire”, de Denis Côté; “Rua Aperana 52”, de Júlio Bressane; “The Color Wheel”, de Alex Ross Perry; e “Garçon Stupide”, de Lionel Baier, na Rua de Baixo.

Críticas a “Over Canto”, de Ramon Gieling; “Voie Rapide”, de Christophe Sahr; “Rafa”, de João Salaviza; “Dragonslayer”, de Tristan Patterson ; e “Punk in Africa”, de Keith Jones e Deon Maas, na Rua de Baixo.

“Another Woman” é o único dos “filmes sérios” de Woody Allen que vi. “Filme sério” de Woody Allen é uma sub-categoria da filmografia do realizador nova-iorquino que se restringe às tentativas de imitar Ingmar Bergman — as outras são “Interiors” e “September” — e se insere na categoria que engloba todas as emulações de cineastas queridos (o outro é Fellini); ou seja, não contam os dramas do novo milénio (esses eu vi). Para que não restem dúvidas da “homenagem”, comparecem Sven Nykvist, director de fotografia do realizador sueco; as crises de meia-idade (embora, por essa altura, fossem regra no cinema de Woody Allen); a dualidade da Mulher ou a Mulher dividida em duas faces — no caso, a de Mia Farrow e a de Gena Rowlands. No entanto, algo escapa a esta matemática; há uma parte que é superior ao todo e evita o pastiche bem intencionado: Gena Rowlands. Como se estabelecesse uma política de actriz, a viúva de Cassavetes carrega o filme às costas e afasta-o das habituais fraquezas de Woody Allen quando se aproxima do drama: a sisudez; o martelar da filosofia/mensagem; o sentimento de inferioridade de um aprendiz que nunca chegará aos calcanhares do mestre. “Another Woman” é frio e rígido, mesmo cruel, e, contudo, conserva uma certa graça (no sentido religioso). A poderosa e catártica redenção só é verosímil naquele rosto de pedra de Gena Rowlands que vai quebrando aos poucos e se torna finalmente humano.

Michael Mann gosta de brincar aos polícias e ladrões. Uma vezes, põe-se de um lado da lei; doutras, do outro. Mais vezes ainda, em “Heat” por exemplo, saltita entre os dois. Nesta dicotomia, figura-se uma outra, talvez essencial em Mann: a batalha entre a sentimentalidade e o estoicismo. Normalmente, os seus anti-heróis, os ladrões, perdem-se pela sentimentalidade, quando não têm força suficiente para se livrar de todos pertences e relações afectivas (amizade e amor) — é o que acontece com a personagem de De Niro em “Heat”. Da mesma forma, os heróis, os polícias, salvam-se pela ligação à família (amor), definhando quando a afastam. O próprio estilo do realizador, indeciso entre o polícia e o ladrão, parece balançar nesta contradição: ao mesmo que os seus filmes procuram a depuração, querem-se quase abstractos, há uma vontade de ligação e a certeza (inevitabilidade) do sentimento, exacerbada pela música e pelos românticos ralentis. “Thief”, como o próprio título indica, pertence ao ladrão. Como noutros filmes do género, o ladrão prepara o último golpe que o projectará para outra vida, longe do crime. Como noutros filmes do género, as coisas não correm como planeado. A dúvida do ladrão é a dúvida de Mann: tem de escolher entre o estoicismo (liberdade) e a sentimentalidade (prisão). O ladrão não hesita: desfaz-se de tudo, destrói tudo o que lhe pertence, afasta quem ama e o ama. Mann, o realizador, respeita a decisão mas não largaria a dúvida: Quem é mais livre, o que morre pelo amor ou o que vive sem nada?

À altura da publicação de “Blood’s a Rover”, o último tomo da trilogia Underworld U.S.A. que este “American Tabloid” inicia, James Ellroy deu uma pequena palestra (chamo-lhe assim porque não foi propriamente uma apresentação do livro) na livraria Strand em Nova Iorque, a qual assisti. Não esperava encontrar o sujeito careca e envelhecido com um anacrónico laço ao pescoço e uma simpatia contrária àquilo que se diz dele (embora seja verdade que é um tanto seco). O que mais me impressionou, contudo, foi o quão pouco impressionante Ellroy é (ou melhor, que estar próximo de um dos meus escritores preferidos causasse tão fraca impressão; passados dois anos e tal, é uma memória difusa). Terá sido esse o ponto em que mesmo o Ellroy-escritor deixou de me interessar da mesma maneira? Anos antes, havia, à vez, devorado o “Black Dahlia” e lido febrilmente (numa madrugada) o “L.A. Confidential, doentios monumentos à violência desbragada. O problema é que todos os livros de Ellroy são “doentios monumentos à violência desbragada” e ou acabam por cansar por se ir reconhecendo a fórmula ou, provavelmente, porque uns são bem melhores do que outros. “White Jazz”, que fecha a tetralogia de L.A. e foi massacrado por Miguel Esteves Cardoso no Ípsilon (o que para este leitor influenciável pelas opiniões daqueles que admira provocou uma enorme queda na cotação de Ellroy), é claramente um dos piores. Surge este arrazoado para evitar argumentar convincentemente (pura preguiça) por que “American Tabloid” também não é dos melhores (apesar do fascínio mórbido que vira página após página, que se deverá sobretudo à reinterpretação dos factos históricos — teoria da conspiração — que levaram à Baía dos Porcos e ao assassinato de Kennedy) e para me vangloriar de ter visto James Ellroy em Nova Iorque.

John Milius deve ter a pior reputação de todos os cineastas que revolucionaram o cinema americano nos anos 70. Bem, escrever que tem má reputação indica que terá ainda assim uma reputação, o que não parece ser o caso. Milius, que escreveu a primeira versão de “Apocalypse Now” (que era para ser realizado por George Lucas) e realizou “Dillinger” (sobre o famoso gangster americano, protagonizado por Warren Oates), foi sendo esquecido e poucos se lembrarão dele. E, no entanto, Steven Spielberg, seu amigo, profetizou que este “Big Wednesday”, de 1978, seria um grande sucesso. Não foi. Arrasado pela crítica e desprezado pelo público, ajudaria a destruir a carreira de Milius e o estatuto de culto que o filme granjeou nas décadas seguintes foi insuficiente para a reavivar. Uma pena: “Big Wednesday”, a história (meio autobiográfica) de três amigos surfistas que sobrevivem mais do que às do mar às tempestades sociais dos anos 60, à Guerra do Vietname, à vida adulta e responsável, à própria amizade, é um belíssimo filme sobre a perda. O sabor amargo que fica do retrato da década que mudou o mundo poderá ser uma das razões do seu insucesso: Milius sempre teve um pezinho na direita e não tem a melhor opinião da cultura hippie, preferindo a revolução rock ‘n’ roll dos anos 50 que a antecedeu, mais individualista, mais machista, enfim, mais americana. E “Big Wednesday” é uma elegia à (a essa) cultura americana; no fundo, os três protagonistas são tão gloriosamente perdedores como eram os de Ford. Paradoxalmente, a grande força de “Big Wednesday” reside nessa vitalidade perdida e devidamente enterrada pelo bom gosto; bem vistas as coisas, essa é a melhor definição do cinema de Milius.
Francis Bacon, Self-Portrait, 1973
Tom Wilson, BIFF from Back to the Future gets asked a lot of questions. So he wrote a card that he can give out that answers them...

Num exercício comum ao da restante blogosfera cinéfila, que julgo ainda não pertencer, enumera-se, com manifesto atraso, uma...
a primeira vez que vi o bernardo foi em odemira, com o laginha,tinha eu 17 anos.foi também a primeira vez que entrevistei um músico. já em lisboa...
Pretty sure this is my first interview as a filmmaker....